São muitas as motivações que me levam a criar. Geralmente as ilustrações mais fortes surgem de momentos tristes, da minha ansiedade, de uma necessidade de expurgar o que eu sinto e o que eu penso, e que muita vezes não consigo por em palavras.

Mas também, surgem de extrema felicidade e da vontade de colorir o mundo e compartilhar a minha visão mágica.

No entanto, quando o bichinho da criatividade não vem, eu preciso me cercar de inspirações pra continuar a produzir. E entre tantas, existe o mundo fantástico de um sebo de livros. Nem sempre eu consigo ir pessoalmente garimpar. (Daí, vai uma dica preciosa pra quem é de Fortaleza: eu encontrei um sebo maravilhoso aqui que entrega em casa! Funciona assim ó: Eles não recebem visitas no local, então você olha todo o portfólio deles na estante virtual, e escolhe seus livrinhos. Daí você paga através do site e pede pelos correios OU combina a o pagamento e entrega pelo whatsapp! O sebo é o Librarium Dez, você pode ter mais informações sobre eles aqui e ver o portfólio de livros aqui).

Porém, se eu tiver tempo, eu gosto de ir passar a tarde a procura, desligar o celular e me conectar aquelas histórias ali. E o meu favorito é um bem antigo, no centro da cidade, chamado o Geraldo. Na última ida ao sebo trouxe vários livros incríveis, alguns raros da Marion Zimmer Bradley, um sobre contos de fada da Clarissa Pinkolas. E resolvi trazer também um best seller que eu tinha um leve preconceito (porque a gente tende a achar que livros populares são ruins? Afe) da Elizabeth Gilbert :  Comer, Amar e Rezar. Não virou um dos meus favoritos (O meu favorito dela é Magia e um que me marcou muito porque foi o livro que li no meu mochilão foi A assinatura de todas as coisas, foi o livro que me despertou o interesse por botânica).

(Eu costumo fazer anotações de ideias, palavras sopradas pelo vento ou músicas que estava ouvindo enquanto desenhava. Ali tem escrito: Sopra o vento/ sente o vento te soprar/ é o sopro da verdade/ abre a porta do teu Ser – é uma música de rezo, você pode ouvir aqui.)

Mas se o livro é bom ou não, não é esse o meu foco de hoje. O foco é: livros em sebo já tiveram um dono ou vários. Alguém que teve uma história, sensações ao ler. Possivelmente tenha usado o livro como um escape de alguma realidade do período que estava vivendo. E desde que eu comecei a comprar em sebo eu procuro por livros que tenham marcações e anotações. E esse livro em especial, me fez pensar muito. Me senti lendo uma história paralela de um personagem sem rosto. Explico: O livro que eu comprei era de uma mulher, da qual não sei o nome. Mas sei que ganhou o livro de um ex-namorado, passava por uma depressão, tinha filhas e estava em busca da sua essência. Sofria com um período de baixa auto estima, acha seu sorriso sem vida e buscava um sentido nessa loucura que é Existir. Como eu sei disso? Através de todas as anotações que ela fez no livro, as partes que ela grifou… E claro, minha imaginação correu solta absorvendo as duas histórias ao mesmo tempo. Da protagonista do livro que buscava sua essência através da espiritualidade e da leitora-antes-de-mim que buscava através de livros.

Estou vivendo um período de transição na minha vida relacionada a minha arte, ao meu trabalho. E eu me senti bem no meio dessas duas buscas. Livros e a espiritualidade, as minhas duas formas de escape, mas também as minhas duas fontes de criatividade.

Esse desenho surgiu assim, no meio dessa divagação. Uma fuga da realidade, mas também um resgate de mim mesma. Sem estudos de forma, de proporção, de cores… Apenas sentimento, e só.

Deixo aqui um trecho do livro que me motivou a desenhar:

“Para encontrar o equilíbrio que você busca: é nisso que você tem que se transformar. Precisa manter os pés plantados com tanta firmeza na Terra que é como se tivesse quatro pernas, em vez de duas. Assim, você consegue permanecer no mundo. Mas você tem que parar de ver o mundo através da sua cabeça. Em vez disso, precisa olhar pelo coração. Assim você vai conhecer Deus.” (Elizabeth Gilbert)

Também inspirado por alguns trechos do livro A linguagem dos símbolos de David Fontana.

E o símbolo ao centro fala sobre os três pilares da Cabala. Vontade divina, justiça e piedade ou neutro. Feminino e masculino, os pilares que conectam todos os caminhos.

“Árvore cósmica: o centro e a fonte da vida são representados por uma grande árvore, o eixo do mundo que comunica a terra aos céus. (…) A árvore cósmica aparece invertida, com as raízes voltadas para o céu, a origem da existência.”

Eu vi árvores cósmicas no Ozora! Vocês conseguem ver as árvores ao contrário lá atrás? Me contaram que foram obras das bruxas que outrora moraram ali. Elas se refugiavam e viveram nessas terras, nas épocas de perseguição. Acho que isso explica muita coisa sobre o lugar realmente ser mágico.

Você pode ver o desenho finalizado aqui, e se tiver interesse em tatua-lo é só entrar em contato comigo: contato@amandaroosevelt.com

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