Desenho desde sempre, desde que aprendi a segurar um lápis… mas demorei muito tempo para assimilar que o que eu fazia era realmente desenhar. Era tão natural, tão intuitivo que eu não racionalizava o processo.

Na primeira infância lembro que meu avô comprava lápis e papel todo mês quando fazia o mercantil, rs. Nada me fazia mais feliz do que ganhar caneta naquela época, eu detestava bonecas. No colégio a minha parte favorita era sempre ilustrar.. perdia horas desenhando os cubos da aula de trigonometria, as células da aula de biologia, colorindo os gráficos, haha. Lembro de pedir ao professor de educação física Antônio Carlos pra me dispensar das aulas práticas e em troca, me oferecia pra desenhar os uniformes do interclasse. Nesta fase sempre muitas mulheres acabam desistindo da arte e do desenho por falta de incentivo, já pensou porque é muito mais comum meninos que desenham? Eu tenho flashes de memórias de alguns momentos, por exemplo.. De uma aula de artes na 4serie com a Tia Toinha, uma das minhas primeiras referências de desenho, pois ela remava contra a maré e dava aulas de história da arte pra pinguinhos de gente em uma escola de freiras. Especialmente, me lembro de uma aula em que ela contou a história da pontilhismo e passou uma atividade pra casa sobre a técnica. Todo mundo fez pequenos desenhos pontilhados, muita gente achou cansativa, mas eu fiquei muitíssimo maravilhada. Fiz uma folha de a3 inteira de pontinhos minúsculos e coloridos ilustrando uma praia. (Nessa época o meu vício era desenhar coqueiros, vai entender). Lembro muito das palavras motivadoras que ela me deu e da sua empolgação. Com certeza, mudaram a minha percepção sobre a arte naquela época.

 

 

No ensino médio, a única aula que eu realmente amava era literatura. Nessa época eu entrei de cabeça nas leituras e deixei um pouco de lado o desenho. Movida pelos testes vocacionais e a eterna pergunta “o que você gosta realmente de fazer?” Aos 16 eu comecei a fazer letras na uece. Foi uma época maravilhosa da minha vida, conheci diversas pessoas que me marcaram e moldaram as minhas escolhas. Fui exposta há uma quantidade incrível de arte, participei de workshops sobre literatura fantástica, fiz aulas de latim e grego, li muito.. Foi uma época de me encontrar e descobrir o que eu realmente amava. Redescobri o desenho motivada pela minha amiga Tamires Branu que notava que eu sempre rabiscava durante a aula. Resolvi então, largar a faculdade pública pra correr atrás de um sonho que eu ainda nem entendia qual era. Fiz cursos no senac sobre desenho de moda, modelagem, costura e optei pelo caminho da moda.

 

 

Logo de cara, já sentia que ainda não era exatamente isso. Lembro nessa época de estudar desenho quase 8h por dia… E o que mais me desmotivava eram pessoas que não sabiam que eu desenhava até então, perguntando qual era o curso milagroso que eu tinha feito. Acrescento: não acredito que desenho seja dom. Acredito que existe uma afinidade com a arte no papel, caso não, você não teria empenho pra continuar. Mas ao meu ver, desenho é estudo, foco e experimentação. A fase do design de moda foi bem rica, comecei a entender que aquilo poderia se transformar numa profissão. Dava aulas particulares sobre desenho de moda, o que me motivava muito a continuar.

 

 

Eu estava completamente focada e empenhada no estudo sobre o desenho. No meio das minhas pesquisas, descobri então a Agnes Cecile, que foi a minha primeira referência absoluta de aquarela. Me apaixonei completamente. Descobri então uma aquarelista aqui na minha cidade, a Juliana Rabelo que foi meu primeiro contato direto com a técnica. Fiz o curso sobre técnicas mistas que foi incrível e inspirador pra mim, e a partir dali eu comecei a produzir cada vez mais. (Não achei o post desta edição que eu participei, mas achei um registro desta minha época no blog da Jú: memorial do ex-aluno.) Antes feito do que perfeito, né? Quase não tenho desenhos salvos daquela época, morro de vergonha de compartilhar, mas acho importante pra incentivar.

 

 

No meio dessas muitas postagens e experimentações, o Jr animal acabou me conhecendo e conhecendo o meu trabalho. O Jr é o proprietário da Kaleidoscope Studio, um dos studios mais antigos daqui de Fortaleza. E ele me ofereceu uma oportunidade única, me ensinar a tatuar.

 

 

Sempre fui encantada com a arte na pele, mas achava a tattoo algo muito distante da minha realidade. Mesmo com muito medo, eu topei! Passei mais de 1 ano trabalhando na recepção do studio pra conseguir me manter e ao mesmo tempo aprender sobre a rotina de um tatuador, além da técnica. Entrar na Kaleidoscope foi um divisor de águas na minha vida. Me descobri como pessoa e como artista nesta família. E sou muito grata a elas pela pessoa que me tornei e os amigos que cultivei lá.

 

 

Outro grande divisor de águas na minha carreira foi um mochilão que fiz com meu namorado (e maior incentivador) após aprender a tatuar. Veja bem, fazer uma viagem assim era algo bem surreal dentro da realidade da minha família, então foi um sonho realizado. Além de ter que lidar com todo o preconceito que eu vinha enfrentando por estar estudando tatuagem aos 19 anos, conseguir ir pra Europa por minha conta, com a grana que eu vinha juntando do meu trabalho, foi uma das sensações mais incríveis e de independência que eu já vivenciei. Passamos pela Hungria, Alemanha, Itália e França. Poderia escrever páginas e páginas sobre tudo que eu absorvi nesta viagem, as coincidências mágicas, e as respostas que o universo me apresentou… Mas, me concentro aqui em uma das melhores:

 

 

Que foi ter ido ao Ozora, Festival que acontece na Hungria, onde eu pude vivenciar várias culturas e rituais ancestrais, além de muita arte e diversidade. Pra mim foi como uma confirmação da minha vocação, e de que era aquilo que eu precisaria para viver. Era o fogo criativo da minha jornada: a tatuagem e a arte aliadas a minha espiritualidade era algo como MERAKI (do grego) – Fazer algo com alma, criatividade ou amor. Colocar parte de si em algo que está a fazer.

 

 

 

Logo após este mochilão várias portas da percepção e possibilidade abriram-se pra mim. E foi ai, que pela primeira vez, eu ouvi falar em Sagrado Feminino. Formei um grupo de estudos junto a algumas mulheres chamado Mulheres da Lua, e desde então muita arte e muita cura vem surgindo pra mim através delas e de suas sabedorias ancestrais. Foi um reencontro de almas.

(Um dos maiores frutos desse grupo é o Madre Terra, você pode saber mais sobre ele: aqui.)

 

 

Minha arte ganhou força e significado a partir do momento que eu me reconectei com a minha essência feminina e uni ela a arte (na pele e no papel) como propósito de vida.

 

 

Agora então, inicio uma nova caminhada de possibilidades. Junto ao site, estou tornando real o meu próprio espaço… O meu studio de tattoo que será inagurado em breve. Com uma proposta diferente de trabalho, aliando a minha energia. Com a essência que eu acredito e quero marcar na pele das pessoas:

A tatuagem como um rito de passagem.

Para mim, para você, para o Mundo.
Te contarei mais sobre essa história em breve.

Seja bem-vindo ao meu mundo criativo.

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